Qual o brasileiro que ainda não conhece a imagem do saci?
Quando eu desenho o saci sobre os muros da cidade as pessoas que passam nas ruas e o observam automaticamente se expressam: – Olha, o Saci! E isso já me faz muito feliz. Afinal, um dos meus objetivos com isso é preservar e, por conseguinte, estimular a valorização do nosso folclore popular.
Só que desta vez com uma versão contemporânea, é lógico! E ainda que esteja no meio urbano, esta leitura não poderia ser menos classificada que: “saci-urbano”. Por isso a frase: “é o saci-urbano”, aquela que já aparece grafitada em alguns muros por aí, trata-se de uma afirmação, seguindo para uma exclamação, que oferece também, uma provocação.
Os mitos e lendas de todos os sacis, uma vez publicado impressos em folhas e/ou expressos ao vento pela oralidade do “griot brasileiro”, sempre foram relacionados ao meio rural e as florestas do interior do Brasil, só que agora ele fará no meio urbano para todos nós: Sobreviventes desta selva de pedras que aqui, a chamamos de urbanidade.

“Urbanidade”
O concreto no lugar da terra, o prédio no lugar da árvore, o lixo futurista – altamente tóxico – no lugar dos rios e lagos, escurecendo o céu de [cinzas] que deveria estar azul. Junto ao aglomerado de pessoas, provocando a miscigenação involuntária que invoca à violência: primeiro por parte dos homens de poder; segundo pelos homens armados; e depois pelos homens ignorantes. Todos, porém, inscientes, aprendizes do mau-trato à vida.

Orgulhosos da própria insanidade, felizes, até por serem infelizes. Isso tudo é a “urbanidade” na qual nos localizamos e constantemente reclamamos. Mas enquanto a nossa juventude, não conseguiríamos sair dessa tal urbanidade, pois estamos acostumados com o rítimo deste caos moderno.
Contudo, o “saci-urbano” que está em meio a tudo isso, aparece nos muros das metrópoles em forma de protesto, fazendo as suas estripulias para o uso-do-bom-senso.
Este é o saci-urbano!
































