É o saci-urbano!

Qual o brasileiro que ainda não conhece a imagem do saci?

Quando eu desenho o saci sobre os muros da cidade as pessoas que passam nas ruas e o observam automaticamente se expressam: – Olha, o Saci! E isso já me faz muito feliz. Afinal, um dos meus objetivos com isso é preservar e, por conseguinte, estimular a valorização do nosso folclore popular.

Só que desta vez com uma versão contemporânea, é lógico! E ainda que esteja no meio urbano, esta leitura não poderia ser menos classificada que: “saci-urbano”. Por isso a frase: “é o saci-urbano”, aquela que já aparece grafitada em alguns muros por aí, trata-se de uma afirmação, seguindo para uma exclamação, que oferece também, uma provocação.

Os mitos e lendas de todos os sacis, uma vez publicado impressos em folhas e/ou expressos ao vento pela oralidade do “griot brasileiro”, sempre foram relacionados ao meio rural e as florestas do interior do Brasil, só que agora ele fará no meio urbano para todos nós: Sobreviventes desta selva de pedras que aqui, a chamamos de urbanidade.

Saci urbano em SBC_01


Urbanidade”

O concreto no lugar da terra, o prédio no lugar da árvore, o lixo futurista – altamente tóxico – no lugar dos rios e lagos, escurecendo o céu de [cinzas] que deveria estar azul. Junto ao aglomerado de pessoas, provocando a miscigenação involuntária que invoca à violência:  primeiro por parte dos homens de poder; segundo pelos homens armados; e depois pelos homens ignorantes. Todos, porém, inscientes, aprendizes do mau-trato à vida.

saci urbano São Bernardo do campo, AV. Getúlio Vargas-b

Orgulhosos da própria insanidade, felizes, até por serem infelizes. Isso tudo é a “urbanidade” na qual nos localizamos e constantemente reclamamos. Mas enquanto a nossa juventude, não conseguiríamos sair dessa tal urbanidade, pois estamos acostumados com o rítimo deste caos moderno.

Contudo, o “saci-urbano” que está em meio a tudo isso, aparece nos muros das metrópoles em forma de protesto, fazendo as suas estripulias para o uso-do-bom-senso.

Este é o saci-urbano!


aparições do saci-urbano->->->->->->->->->->->->->->->->->->->->->

 

 
 

 

Praias sujas

Pois é, mais uma aparição do Saci Urbano noutra cidade litorânea. Só que essa foi na primeira cidade do Brasil, ou seja: segundo documentos históricos que mostram que São Vicente, uma vez invadida pelos brancos, fora batizada por um tal de Gaspar de Lemos em homenagem a São Vicente Mártir– Mais dois  brancos.

Nessa aparição a beira mar o Saci percebeu uma coisa muito chata: ele reparou que as águas e a areia daquela praia, conhecida como Gonzaguinha – famosa por sinal – apresentava para os olhos de quem a tem a primeira vista, uma sujeira espantosamente vergonhosa. Tanto é que tem uma revista que mostra dados com 96% de avaliações impróprias no último levantamento divulgado, referente a esta praia.

A água já escura com insistência das ondas, tenta devolver para terra firme estes objetos invasivos que causam mal estar até para os animais marinhos:  são sacolas plásticas, latas de alumínio, garrafas petis e até caixas de leite longa vida. Sem contar com a quantidade de Canais que tem ali: é um, é dois, é três, é quatro, é cinco, é seis; aja tanto canal numa mesma cidade. E a população usa este termo “Canal” como identificação para pontos de referência de tais localidades, hora até para pontos turísticos. E parece que estes mesmos Canais fazem realmente de canal quando leva todo (ou boa parte) do esgoto do município para as águas do mar da Baixada Santista.

Talvez seja por isso que muitos banhistas andam se infectando com a tal da virose que ninguém quer saber o por que, antes de salgar a bunda lá no mar.

É o Saci Urbano à Carioca

Quem chegar no Rio de Busão, vai conferir ao lado da Rodoviária Novo Rio

Nessa semana o Saci Urbano fez suas aparições no Rio de Janeiro, na famosa “cidade maravilhosa”.

 Em tempos de carnaval, ele homenageou o samba após sentir o ar ritimista que os cariocas respiram ali. Marcou presença lá no alto dos Arcos da Lapa para que os turistas de outras cidades do Brasil e também os gringos, que se divertem embarcados no bondinho que passa sobre, pudessem conhecer e se lembrar de sua existência.

quem andar naquele bondinho do Arcos da Lapa vai vir um Saci

Conferiu a grande quantidade de viadutos que atravessam àquela cidade em meio a enorme quantidade de veículos poluentes que por ali trafegam a todo o momento, sob – e/ou sobre – mais um asfalto ordinário de uma grande selva de pedra litorânea.

 O Perneta viajante percebeu que a cidade é bonita sim, porém, compreendeu a situação do abandono da região central, com sua vasta herança histórica, cujos prédios e monumentos antigos tomam conta da paisagem urbana entrante conflito entre as ruínas e as novidades arquitetônicas deste novo milênio, como há em todos os grandes centros das grandes capitais.

  Este Saci, mesmo que ainda esteja se adaptando ao ambiente urbano, por inteligência da sua natureza, observou tudo isso e chegou à conclusão de que o centro, uma vez construído pelos colonizadores que em sua época tinham a total atenção das autoridades, por ser uma esplendida construção que simbolizava o avanço da humanidade. Mas como tudo fica para fazer a “História”, que servirá de subsídio intelectual para a nova geração de seres humanos que a partir de livros escritos pelos “bbbs” (brancos-burocratas -burgueses) – não necessariamente nesta mesma ordem – , haverão novas construções de novos centros urbanos ao redor-e, aos redores dos antigos centros,  agora “históricos”.

 Então seguindo essa mesma ambição, que faz de uma moderna necessidade humana marcar o tempo construindo o que serão no futuro, novas ruínas até não se ter mais lugar geográfico para novas construções. Talvez seja por isso que a imagem do consciente coletivo, ilustra o futuro como prédios e automóveis flutuantes. Porque a “história” feita pelos homens brancos tomaram conta do solo, desrespeitando a t(T)erra, com constantes intervenções à natureza.

pra ser a mascote da copa

 De centro a centro a cidade fica desordenadamente ocupada. Daí vem o desequilíbrio. E cairão desses flutuantes, somente aqueles que não tiverem o poder de consumo e outrora o poder tributário para continuar sua vida contemporaneamente ordinária.

em nota: O Saci Urbano não fez muitas intervenções na capital carioca talvez por ter se assustado da forma com que a polícia expõe, da brecha entre o vidro e a janela do carro, o cano de suas enormes armas: ou é para intimidar os possíveis bandidos que ali estariam exercendo o direito de ir e vir, ou para fazer a propaganda de seus novos equipamentos para a aquisição dos traficantes.

Saci Urbano faz o que sempre faremos

A pedido do leitor, publico a imagem de mais uma aparição surpreendente do perneta que protagoniza a cena, com o próprio comentário deste caro leitor que aprecia as marcas da cidade.

por Allan Humberto:

Sou fã do saci urbano, realmente é um trabalho sensacional!!!
Gostaria de ver publicada a imagem do saci em um vaso sanitário com o dizer “isso é necessidade”, esse saci está localizado na avenida Alberto Soares Sampaio em Mauá próximo a ultragaz, e próximo as obras do rodoanel. Mais uma vez parabéns!!!

Sacis Urbanos para 2010

 

Como podemos visualizar na foto acima, a legitima intervenção feita pelo Saci Urbano, digna de seus atrevimentos-travessos como forma de participação social, mesmo que feita simbologicamente, que logo se torna real e verdade, pois a mensagem interada nos outdoors, localizados no município de Mauá, sem dúvida, expressa a informação de suas aparições nessa cidade.

 Então reforçamos aqui a mensagem: “2009 O RESULTADO JÁ APARECEU. 2010 VAI SER MUITO MELHOR”.

 E vai ser mesmo, não necessariamente apenas na cidade que aqui fora citada, Inclusiva será em muitas outras desse grande país, que eu conheço como o Brasil de negros, brancos e índios. Portanto, de fato: a “mestiçagem” toma conta. Viva a diversidade!

Armando uma rede

 

Foi no dia 20 de novembro de 2009 que o Saci Urbano foi convidado para o modesto e tranquilo evento, cujo nome da atividade principal  “Emplacamento da Praça Zumbi” aconteceu numa pequena, da Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte da capital.

Como no convite de ocupação da praça estava escrito: pinturas, piquenique, etc…E principalmente “ocupação”, o Saci Urbano previu que não haveria problemas em armar uma rede entre as pequenas árvores de folhas verde-escuro para descansar naquela sombra convidativa em que se assentava num espaço no qual, o próprio, se identificou com o nome: “Praça Zumbi”.E assim descansou -  à sua moda antiga, de quando vivia na floresta -  das muitas aparições feitas em 2009.

Urgente: Paraitinga (onde acontece a Festa do Saci) precisa de ajuda

Como todos sabem São Luis do Paraitinga, cidade histórica do vale do Paraíba foi uma das mais atingidas pelas chuvas da última semana.

A cidade está isolada, com 9000 pessoas desalojadas, e aqueles que assistiram as imagens pela televisão acompanharam a triste cena do desmoronamento da Igreja Matriz da cidade. Sabemos que a Capela das Mercês também desmoronou assim como vários casarões antigos da cidade, entre eles a casa de Dona Cinira, viúva do compositor Elpídio dos Santos (autor de “Fiz uma casinha branca lá no pé da serra pra nós dois morar…”), personagem ilustre da cidade que no ano passado comemorou seu centenário.
A cidade está em total estado de desolação e carecendo de absolutamente tudo.
Está sendo organizada uma ação para envio de donativos através de um caminhão que partirá de São Paulo essa semana.
Vale o que cada um puder ajudar… Eles precisam de água, leite em pó, fraldas descartáveis (infantis e geriátricas), roupas, alimentos, lanternas, colchões e o que mais cada um puder oferecer.

As doações serão recolhidas no prédio da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) com sede à Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 a partir de hoje das 15h às 21h e nos dias 5 e 6 das 10h às 21h.

São Luis do Paraitinga precisa se reerguer. Nessas horas a força é redobrada, as mãos se encontram e a ajuda se faz acontecer. Uma cidade tão forte, que cultiva na terra, nos sobrados e no coração das pessoas a nossa cultura… e que tanta alegria já trouxe em seus carnavais, festas do Divino, Semana da Canção, e outras festas populares agora, precisa de nossa retribuição.

Agradecido

Galeria das aparições do Saci Urbano

A pedidos dos leitores desse blog, publico aqui imagens – de muitas, porém, não todas - das aparições do Saci Urbano pela Grande São Paulo.

As fotos a seguir foram feitas com a utilização de recursos variados, aqueles disponível no momento de cada aparição: uma hora com máquina fotográfica analógica; outrora com máquina digital e muitas vezes com o aparelho celular. Por isso, a variação na qualidade das imagens. Mas o que vale aqui são os registros das travessuras desse perneta urbanizado.

Boas apreciações>>>>>

Trafegando em Veículos “não-poluentes”

Sabia que o Saci Urbano também anda de bicicleta? E porque não?

O fato de ele ser perneta não justifica que seja incapaz de correr se equilibrando por duas rodas. Mas, até aí é fácil. O estranho é como ele pode pedalar com apenas uma perna?

Quem já saiu pra um rolê distante em cima de uma magrela e no meio do caminho o pedal calhou de se quebrar, ou mesmo que estivesse com a rosca espanada e não se firma mais no pé-de-vela. Daí é que o ciclista encontra uma solução e se torna um Saci pondo toda a força em apenas uma das pernas, na que tem o pedal funcionando normalmente, para que o pé-de-vela complete o movimento de 360º (graus) contínuo. Então o “cidadão-saci” prossegue o seu trajeto, e não passeio; porque essa pessoa que se faz de saci deveria estar no percurso a caminho do trabalho, pois se fosse apenas um passeio, sem ter pressa de chegar no horário, essa pessoa não se ajeitaria dessa forma, talvez ligasse para alguém acudi-lo, ou empurraria sua bicicleta até encontrar alguma ajuda; ou retornaria para casa.

Sendo um mero (operário), que depende desse tipo de veículo – não-poluente – para se locomover ao trabalho, no entanto a necessidade “fala mais alto” e o cara acha a forma mais simples, porém, não mais confortável, para seguir adiante e não chegar atrasado em seu emprego, pois o chefe e/ou encarregado, não ta nem aí, se o pneu da magrela furou, ou se este brasileiro sofreu algum tipo de acidente na rua, pois ainda não é em todo lugar que se encontram ciclovias para trafegar com veículos não-poluentes.

Detalhe: na aparição desse Saci Urbano em horário comercial só se via trabalhadores “esquisitos” – assim como eu – indo e vindo com suas bicicletas de modelos variados, muitas dessas compostas com peças de vários outros modelos, garantindo seu perfeito funcionamento para trafegar sobre a ciclovia e calçadas esburacadas.

Série: histórias de Saci

Começa aqui, a série de histórias que o povo conta sobre as aparições do Saci: seja do saci-pererê, matinta-perera, saci urbano etc. O importante é que o causo tenha como protagonista o ser perneta que habita em nosso imaginário.

Enquanto eu vou publicando algumas histórias neste blog, gostaria de pedir a sua participação com contos, causos, declaração, afirmação, história, História, estória, lendas, cantigas, poesia. Ou seja, tudo o que for legível.

Pode ser em vídeo também, como este que inseri nesta postagem.

Podem mandar como comentário, daí eu pego de lá e boto aqui. Se tiver problemas, manda para este endereço thiagovazarte@gmail.com

Eu e o Saci Urbano, contamos com a presença de vocês.

Saudações sacizistas

TV DA PRAÇA - SACI PERERÊ APARECE NO QUINTAL DO LUCAS

TV DA PRAÇA – SACI PERERÊ APARECE NO QUINTAL DO LUCAS

Eu vi um Saci e fiquei triste

aparição do Saci Pererê

foto Thiago Vaz

Pude registrar a aparição desse Saci que agora podemos visualizar na foto acima. O causo se deu na noite de sábado, no dia 31 de outubro, data em que São Luis do Paraitinga e outras cidades estavam festejando o dia desse perneta atrevido (adj.1.Aurélio).

Na hora eu fiquei muito feliz de ter presenciado sua aparição, foi como se eu estivesse regredido para meu estágio infantil de quando eu tinha meus 10 anos de idade. Tenho que admitir: fiquei muito empolgado e eufórico naquele instante, mas passando-se alguns minutos voltei a ser adulto e enxergar as coisas além do que é mostrado. E pude reparar que aquele saci não passava de uma pessoa com apenas uma das pernas, que provavelmente passara muitas dificuldades em sua vida no aspecto social. Quando eu me aproximei para conferir de perto, fiquei triste ao vir que a feição do negrinho soava sofrimento. A impressão que tive foi de que ele fora capturado pelo homem que ali estava próximo e que parecia ser seu guardião, mas senti que este homem era o seu explorador, que ganhava dinheiro levando o saci onde as pessoas queriam vê-lo, e quando não havia aparição em público ele judiava do pobre perneta.

Enquanto todos vibravam e achava um máximo à presença daquele menino velho, eu ficava me pegando em pensamentos: como será a vida desse saci na sociedade moderna em que vivemos? Onde será que ele está vivendo? Será este, o verdadeiro Saci Urbano? Porque ele me parece tão maltratado?

Fiquei decepcionado com tudo aquilo, pensei que quando eu me aproximasse desse saci (vide foto) ele aprontaria alguma comigo: no mínimo fazia uma piada com o que eu iria lhe dizer, ou faria alguma brincadeira típica de saci mesmo. Mas quando minha aproximação foi a contento nada do que eu esperava aconteceu e sim aquele olhar deprimido, daquele saci que tanto me intrigou.

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